
O Comité Olímpico Internacional (COI) e a Associação dos Comités Nacionais Olímpicos de África (ACNOA) suspenderam, de forma provisória, os apoios financeiros e programáticos atribuídos ao Comité Olímpico da Guiné-Bissau no âmbito dos fundos da Solidariedade Olímpica.
A decisão consta de uma carta enviada ao presidente do Comité Olímpico Nacional, a que a RDN teve acesso, e resulta da suspensão, de última hora e sem justificação credível, da Assembleia Geral Electiva do organismo nacional, inicialmente agendada para o dia 30 de agosto.
Na missiva, o COI considera que a intervenção do governo guineense, ao inviabilizar a realização do ato eleitoral sem consulta prévia, constitui uma violação dos princípios da Carta Olímpica e dos estatutos do Comité Olímpico Nacional (CON).
O COI sublinha que a suspensão dos apoios se manterá “até nova ordem”, e até que seja encontrada uma solução concreta e consensual entre todas as partes, que permita a realização das eleições quadrienais regulares em conformidade com os regulamentos olímpicos.
Perante a gravidade da decisão e os seus potenciais impactos sobre o desporto nacional, a RDN procurou ouvir o Ministério do Desporto. Questionado pelos jornalistas no Estádio Nacional 24 de Setembro, à margem do jogo da selecção nacional frente à congénere do Djibuti a contar para a oitava jornada de qualificação para o Mundial de 2026 o ministro Alfredo Malu afirmou desconhecer oficialmente a suspensão.
“Não temos essa informação por parte do Comité Olímpico Nacional. Não fomos informados, nem recebemos qualquer documento sobre este assunto”, disse o governante, acrescentando: “Trabalhamos com documentos, não com boatos. Assim que tivermos acesso ao conteúdo da comunicação, os nossos técnicos serão convocados para dar o devido tratamento”.
Alfredo Malu garantiu ainda que o governo está atento e que irá agir assim que tiver informações formais sobre a situação: “Se existem problemas com o COI, as federações nacionais vão nos informar oficialmente, e nós, como governo, buscaremos a melhor solução”.
O ministro adiantou ainda que as eleições no seio do Comité Olímpico Nacional deverão realizar-se em breve, sem, no entanto, indicar uma data concreta.
A suspensão dos apoios pode comprometer seriamente a participação da Guiné-Bissau em competições internacionais, como os Jogos Olímpicos da Juventude Africana, agendados para 2026 em Dakar, e os Jogos Olímpicos de Verão de 2028.
Redacção RDN









