
A Guiné-Bissau assumiu esta terça-feira, (15.07) a presidência do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CONSAN-CPLP), num momento em que o órgão divulgou sua declaração final em Bissau com fortes alertas sobre o agravamento da insegurança alimentar nos países da comunidade. A situação é considerada sobretudo preocupante a menos de cinco anos do prazo estabelecido para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
O CONSAN, que reúne representantes ministeriais e de diferentes sectores da CPLP, manifestou “redobrada preocupação” com o fato de que as metas do ODS nº 2 erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável, continuam distantes de serem alcançadas.
Com base no Relatório SOFI 2024 das Nações Unidas, o Conselho destacou que 733 milhões de pessoas passaram fome em 2023, sendo uma em cada cinco no continente africano. O documento alerta que, se as tendências atuais persistirem, cerca de 582 milhões de pessoas poderão estar cronicamente subnutridas até 2030, metade delas na África.
A Declaração de Bissau também destaca a coexistência de múltiplas formas de má nutrição nos Estados-membros da CPLP incluindo desnutrição, carência de micronutrientes, sobrepeso e obesidade, fenômenos associados a determinantes sociais e ambientais que exigem respostas integradas e intersectoriais.
O CONSAN expressou ainda preocupação com o agravamento do cenário global, marcado por conflitos armados, crises económicas, eventos climáticos extremos, aumento da pobreza e aprofundamento das desigualdades. Esses factores de acordo com o documento comprometem seriamente o acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis, particularmente nos países mais vulneráveis da comunidade lusófona.
Redação/RDN









