[Artigo de Opinião] MULHERES LIDERAM MUDANÇAS NAS COMUNIDADES RURAIS

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A Guiné-Bissau é um pequeno país com geografia de 36.125 quilômetros², situada na costa ocidental da África, divide fronteira a Norte Com Senegal e a Leste e Sul com Republica de Guine-Conacri. Com oito regiões administrativas e sector autônomo de Bissau (capital do país), tem uma população de cerca de dois (2) milhões de pessoas, cuja maioria é de mulheres.

É essa franja da sociedade que dá sentido à vida nas famílias, comunidades rurais e nos centros urbanos. As chamadas mulheres valentes ou combatentes desempenham dupla função nas moranças. A função da mãe e do pai ao mesmo tempo: é uma questão cultural em várias situações, mas geralmente tem haver mais com a capacidade criativa e a dinâmica empreendedora que caracteriza mulheres que vivem nos meios rurais.

De madrugada com o alerta do primeiro cantar de galo até o pôr do sol, elas vão corajosamente ocupando-se de uma lista infindável de afazeres domésticos e trabalhos no campo agrícola (transplante, colheita e transporte de arroz das bolanhas), nas hortas, na pesca de subsistência, além do comércio que é uma rotina cotidiana do sustento de famílias nas tabancas – pequenas vilas agrícolas. Com base nos saberes e práticas produtivas tradicionais, as mulheres compreendem melhor que muitos homens o enorme potencial que as terras guineenses dispõem para suficientemente alimentar a sua população e gerar rendimentos econômicos e culturais. As mulheres que vivem em zonas rurais são sem dúvidas verdadeiras protagonistas da economia familiar e da mudança social nas comunidades.

Um exemplo: Lucia Gomes de 41 anos de idade. Ela é a responsável por uma horta comunitária que mede quase 1 hectare. Todos os perímetros deste vasto campo coletivo de produção agrícola são aproveitados com a cultura de diferentes variedades de hortaliças, que não só servem para consumo de toda família da comunidade, mas em grande parte ajudam no abastecimento dos mercados de centros urbanos.

Outro exemplo. Cadi Indjai, 49 anos, sustenta uma família de 17 membros, com o seu trabalho de campo associado a pequenos negócios de produtos alimentares. Com isso, ela consegue pagar escola para os filhos, comprar roupas e cuidar de tudo para manter a dignidade da família.

Em minha última visita ao mercado público municipal de São Domingo, escutei a seguinte afirmação da senhora Fatu Manga que é vendedora de peixes: todos os dias em que levanto de madrugada penso nos meus filhos, respiro fundo e tomo coragem, quero dar uma vida melhor para eles.

As mulheres que trabalham na extração de ostra, na produção de sal, nas bolanhas de arroz, na fileira hortícola, na extração de óleo de palma, no comércio informal e em vários outros setores exercem corajosamente um papel basilar na economia familiar das comunidades rurais. A todas elas uma singela homenagem pela luta diária que de forma orgulhosa assumem em todas as frentes para garantir a comida na mesa da família.

Djibril Iero Mandjam (Guine-Bissau)

Publicado na Revista eletronica Brasileira

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